quarta-feira, 22 de setembro de 2010


Ócio ó si o faço
o que há de fazer
na maré certa
& na
hora cheia
iluminada
fácil faço

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Solto a voz nas estradas!


Leitores, bebedores de azeite, gente que compra revista Piauí,

Alguém sabe o caminho para Campinas?
Coisa simples. O Movimento Maior do Brasil correrá a cidade da pomba gigante para buscar mais militantes. É terra do Embaixador-fundador-flanador-degustador-de-versos, Pedro Paulista, o Pedrówisk. Lá estaremos numa pasárgada de hedonistas sem ilusões. E que é isso, afinal?

Será o primeiro Road Movie do Mocc.

(Filme de estrada, zé!)

Cadê o fecho de ouro desse texto-informe? ah, tá? é esse:

CONVOCATÓRIA PARA TODOS OS MOQUIANOS! CAMPINAS TE AGUARDA!!!!

beijos rodolfianos!

f.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Alô, Homero?



Apesar e leveza, o drama em ofício

Ladinos ruídos, se fores amigo?

Minha Linda Na beleza reina

Mulheres generosas, meninos orientados, apesar

A máquina sinaliza esta ingerência, mais que esperta, dança?

Nem venta, nem inventa, musica, silencio, canta

Se iam ou são, nem finjo, vento balança e desengana

Então, tão infinito, estudo, ontem ensaia agora, futuro é criança.

Hodierno, sem pesar mágoa, sem exceder, sábia errância

Levo mudras, ostras outras encéfalas, menos ignaras lembranças

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Biografia do Lobo


Caros amigos moquianos, procurei fazer deste texto um ensaio aristotélico. Menos pelo pernosticismo do que pela conveniência, posso garantir. Aristóteles parte sempre da voz corrente e acaba atingindo uma complexidade impressionante. Nosso amigo parece plano, cristalino, mas é uma personalidade bastante complexa, ainda que afetuosa. Sei que quase todos sabem que estou cursando Filosofia na UERJ. Bom, não deixa de ser uma especulação também, uma tentativa (errante).


* * *
Rodrigo Luiz do Nascimento Lobo é um nome grande pra cacete. Longe de ser daqueles da família real, mas maior do que a média brasileira. Acho. Apesar do nome composto, que tem sido bastante comum nos bastismo de hoje.

Rodrigo - Luiz – Nascimento - Lobo

1

R.L.*

Esta sigla, criada pelo meu irmão Pedro, reflete aliás uma qualidade que é comum aos dois. São “sem frescura”, vão direto ao ponto e querem resolver as coisas. Mas atenção! Essa objetividade comporta também todas as contradições possíveis. Uma delas é que Rodrigo é um amante da boa conversa, o que inclusive faz com que ele não resolva as coisas por inteiro, de uma vez, ou melhor, com pressa. O termo também traduz talvez a característica que primeiro se percebe deste sujeito: o carisma. Daí as comparações erótico-messiâ nicas: para uns ele parece um bichinho de pelúcia, um Picachu, e outros vêem nele uma semelhança com Cristo. Principalmente as mulheres. Diz-se que ele tira o diabo do corpo e antes faz ver o diabo de perto.

*Obs: Além dos diminutivos, outros apelidos são conhecidos: Dime, de “di menor”; Beiço; Pacoval; Baboi, entre outros. Cada um reconta as histórias e lugares de onde se pegou/botou. Deixo para os responsáveis pela nomeação esta tarefa.

2

Nascimento

“Começa-se atrasado ao próprio advento e nunca mais se terá a chance de descontar o atraso.”

Um caminhão de gente já disse algo parecido com isso, mas poucas vez vi alguém levar o atraso da condição inicial às últimas conseqüências. Rodrigo nasceu atrasado, sempre chegou atrasado, mas vive no agora. Os pré-socráticos, sobretudo Parmênides, chamam isso de nyn. O ser, a rigor, vive no agora de um “é” sempre presente, que não foi nem será. E o que é é, e o que não é não é. O resto é ilusão, conversa mole pra boi dormir meus amigos do esporte!

Depois de tudo bem entendido, quero dizer o seguinte: nasceu atrasado porque nasceu no dia 24. Dia em que “cabra-macho” nenhum queria nem a mãe dele queria. Por isso, resolveu-se que ele seria registrado no dia 25. Portanto – mesmo 24 – ele é no 25. Dispensarei a parte em que falo dos atrasos aos encontros, churrascos, botecos, aniversários, casamentos ...etc faz parte de um acordo meu com o protagonista.

3

Lobo

Sem dar bobeira nem demonstrar sua voracidade, este Lobo é espécie das mais distintas. Tipo generoso e de bom senso de humor.

Não convém pisar-lhe o calo, porque o rapaz é teimoso e pode ficar arredio, isso contudo, faz dele sincero e confiável. Estar sob a sua guarda e fiscalização não é nada mal.

Amante da liberdade e de deixar as pessoas livres, é também um grande conselheiro, de grande autonomia e consumo moderado [curiosamente maior na estrada do que na cidade], movido a ampolas de cevada. Conheci ainda nos tempos de colégio Pedro II esta faceta. Foi ele quem me apelidou de “Leozito”, mas logo cresci, porque recebi o “de la Mauá” de outro amigo. Isso era 2000-1.

Depois vieram os tempos de Uerj, Mocc e do Pré-vestibular, que permitiram uma aproximação maior, tanto pessoal quanto profissional. Deve bater uma década pra mim, desde que conheço este parceiro.

E muitas linhas ainda estão para ser escritas sobre esta relação. Ah! Que delícia! Cheguei ao fim...

Foi bom pra você Rodrigo?


Leo, o Zito o Da Mauá

segunda-feira, 3 de maio de 2010

As Engrenagens



Não se cria um artista.

O artista é escolhido

E só então nasce.


Não se trata de um personagem,

Uma logomarca ou uma mentira.

O artista sabe o que não é


Um artista não é um filho,

Um projeto ou uma imagem.

Um artista não se cria - fato.


Contudo, em vacilantes momentos,

Ela não cria, a artista.


Talvez porque ainda lhe faltasse autoconfiança,

Ou porque houvesse uma pedra

No meio de cada caminho dela

Ou, simplesmente, porque sempre foi muitas

E nesses muitas lhe cabe um mundo de possibilidades.


Pode ser alemã, inglesa e até espanhola.

Silêncio! Silêncio! Também pode ser...

Pode ter medo do escuro e de dormir sozinha inclusive.

Por que não?


A artista quase tudo pode,

Tudo sente e tudo é.

Freira, prostituta, Tereza...

Quem pode compreender

As engrenagens que movem a artista?


Colorida como rastros de confete

Sobre o chão da rua do mercado;

Divertida entre as frutas e os legumes

Dos corredores da feira da Glória;

Melancólica pelas esquinas

De bares da Maracanã;

Generosa por entre os becos do perdão...


A artista sabe bem o que não quer.


E dentre muitos não quereres

O não querer ser rotulada.

Irônica, verdadeira;

Desprendida, nostálgica;

Antes assim, agora assado...

Quiçá a artista dissesse:

- Não enche o saco!

E acendesse mais um cigarro.


Talvez risse, talvez chorasse,

Talvez decorasse e não encenasse,

Escrevesse e não publicasse.

Quem sabe?


Daquilo que se sabe

Está que a artista gosta de ter histórias para contar

Que a artista nasceu para ser o que é,

As muitas que já foi

E as que ainda será.







quarta-feira, 21 de abril de 2010

carioquéia desvairada






















Os historiadores estão flutuando! Os historiadores - e assim gritava uma moça gorda - estão flutuando! Isso acontecido, alguém teria sido dado como o culpado pelo corte da linha da pipa, pelo rompimento das cordas que atracam tantos e tantos no cais, alguém seria deliberadamente acusado de ter aberto a comporta da nave e lançado geral no espaço cheio de espaço sideral. Se historiadores flutuarem um dia, não há dúvida e nem o acusado requererá defesa: é o Paulista que andou aprontando na caixa d'água da galera e, enfim, os puretas e os puretas avançados decidiram viver com asas. O que ele batizou na água da gente não sei; importa é que, neste processo de fluir no ar, ao menos acordamos engessados. Meno male. Surfar por sobre lugares comuns e até reforçar alguns pra deixarmos de sermos besta, eis algumas lições desse desvairado da carioquéia, o Pedro, historiador fla-flu(tuante), fla-flu(gel). Se preciso for, ele é necessário. Do contrário o Paulista mantém-se um pajé sem requerer eleições, assim como pajezisa sem receber proventos pelas pitadas do cachimbo.

Quando iniciamos um texto apresentando uma sombra estilizada de uma pessoa, padecemos do mal de quase nada contar dela aos não-iniciados. Mas do Pedro há tantas histórias, são tantos anos de aventuras acumuladas que, sei lá, bate uma dificuldade enorme entrar numa de selecionar um episódio. É claro que se isso aqui de escrever sozinho fosse o inverso, uma platéia assistindo o teclar da maquineta, muito possível seria que exigissem vários episódios e daí nascesse a série "Paulista, sem pecados só furnicações". No entanto, um folhetim desses careceria de desenhistas tipo b e de publicação em bancas de jornal na prateleira de pornografias. Qualquer detalhe sobre o Pedro passa pela devassidão. E eu sei que isso é sinônimo de sucesso, mas vamos entrar no seu melhor personagem, aquele que ele mais admira, que é o espiritualizado. Provavelmente o mais canalha de toda a galera que usa dessa de grife holística.

Numa ocasião estávamos, o Paulista e eu, disputando uma competição mensal de consumidores de chope no saudoso bar Estephanio's, em Vila Isabel. Éramos Quixote e Sancho -e para não causar confusão, apesar da pança do garoto Pedro, eu era o ajudante do herói, logo, o Quixote era o nosso homenageado aqui. Daí que Pedro de La Mancha, em sua empreita rumo à maior litragem daquele mês, além de mandar ver nas tulipas e cooptar o garçon para "ajudar" o nosso lado, descobriu um modo particular para ganhar a competição: brindava a cada gole uma homenagem a Baco, pedindo para que ele intercedesse na garganta de seus adversários, fazendo com que bebessem à vontade, mas que o gosto fosse uma merda! O resultado dessa mandinga entre o deus do vinho e nosso beberrão foi uma sintomática queda de beberagem dos competidores, nos permitindo - permitindo o nome do Paulista - sair da nona colocação e chegar à .... à.....

à quarta.

Baco cumprira seu papel. A cara da galera não era mais de prazer fazia semanas. Mas não foi possível vencer um povo de circo que por lá bebia. Gente de outro mundo. Seguidores do Jaguar, com tendências de Aldir Blanc - infelizmente sem lampejos geniais. Os três primeiros colocados eram Jedis. Se não isso, pés-de-cana respeitáveis; simples assim.

A homenagem está feita com esse relato, acho. Fica dessa história o registro do homem paulista que chegou mais longe numa competição alcoólatra-alcoólica de Vila Isabel. Não é ficção e nem tem história de vencedor ao final não. Embora, ainda que ficção fosse, nada seria mais inverossímil do que o Pedro sentar na janela logo ao entrar nesse ônibus. Em Vila essas coisas são sérias, não dá pra ser desbancado assim. Batuqueiro é batuqueiro, cantador é cantador. (salve Luizinho!)

Embora completamente leviano com as regras da competição, firme ficou na minha memória que, naquele tempo, chegara o Paulista ao fake de seu auge: filosófico até a última ponta, um galanteador calado e metidíssimo, um anárquico interlocutor e jogador individualista. E quarto lugar no Estephanio's como bebedor do mês de maio de 2002.! Auge fake porque Pedro foi muito além, e não vou contar aqui seu lado sério não, que isso aqui não servirá de currículo para emprego algum. Importa é que trato apenas do início primeira década do século XXI, e nosso moquiano-fundador ainda fundaria novas modas e seitas, todas situadas entre Epicuro e Bakunin, praia onde também me filio e arrisco jacarés. O Paulista, para além, ainda cofia os bigodes do Nietzsche enquanto batuca uns pandeiros na Mangueira. Nos intervalos se apaixona por aí.

Embora completamente leviano, Pedro é.
É leviano embora completamente Pedro.

Asas e bolas de gude - molecagens enquanto o trem não chega ao Nirvana. Um pajé.

meu amigo, O paulista - um aniversariante do mês.



intés

f.













terça-feira, 6 de abril de 2010

O Dia em que a Lagoa Alagou

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***

[a câmera, do helicóptero, mostra a Lagoa, marrom, transbordando e se confundindo com as pistas do entorno]
- Foram confirmadas três mortes no Morro do Borel, e também deslizamentos nos Morros do Macaco e Andaraí... Mas as áreas mais atingidas como se vê são a Barra da Tijuca e a Zona Sul...

***

[governador dá entrevista pelo telefone]
- Inclusive, essas imagens que vocês mostram agora, das ocupações irregulares, demonstram a importância do PAC... A importância do somatório de forças do Governo Estadual com o Governo Federal, com o Presidente Lula, que está empenhado em...

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[pessoas agitam os braços, logo acima de um deslizamento de terra, ao lado de casas comprometidas. Uma delas carrega uma placa "FILMA EU"]
- Governador, eu gostaria de fazer uma pergunta: há alguma previsão da Defesa Civil ir a essa localidade salvar essas pessoas que estão aí, como se vê, pedindo socorro?

***

[repórter entrevista, por telefone, o secretário de saúde]
- Secretário, muitas pessoas não conseguiram ir trabalhar hoje devido à chuva?
- É verdade, e essa é a orientação da Prefeitura, que as pessoas não saiam de casa hoje, todos os funcionários foram dispensados do serviço hoje para evitar problemas... futuros...
- Mas... Secretário, por favor... Uma orientação à população que, como se viu nas imagens, tentou ir trabalhar e não conseguiu, teve contato com a água poluída, sofreu algum tipo de acidente, o que ela deve fazer? Ela deve seguir a orientação de ficar em casa? Deve procurar um médico?
- Perfeitamente, Nesses casos ela deve avaliar a necessidade e, se precisar, se dirigir a qualquer unidade de saúde, pois todas as unidades de saúde estão operando normalmente, todos os funcionários estão de prontidão...

***

Saldo parcial da tragédia: dezessete horas de chuva; trinta e dois mortos; nenhuma Cherokee enguiçada na Epitácio Pessoa.

terça-feira, 30 de março de 2010

"Dizem que ela existe pra ajudar"


"Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia"

sábado, 27 de março de 2010


Ontem, após receber a notícia de que forças abjetas assaltaram mais um canal de mídia livre e pública - e autônoma uai, dentro da Unicamp. Queria mandar enfiarem nosas antenas no cú, mas sem miguelar, respirei e cantei também:

“Que beleza, o vil metal, a ordem e a crença, os andróides perdidos retornam esmerilhando a consciência pública, roube sua rádio, julgue sua televisão e se liga filho da puta, na origem faltam-te conduta, governante playboy, empresário facista, apreende e nem sempre aprende um delinquente inspirar que cria simples e ausente assim dessas suas manias, cagaços, normas e caros vinhos - todos sabemos beber bons vinhos. Tu és vizinho, mas o bairro que se feda? Obrigado cidadão, onde se escreva, cante pro canto da luneta, empoeirada, suba nas puras poetisas caixas, enfia o dedo no rastro, e goza, goza tua liberdade, pega nossa vontade, e goza, mas deixe-nos, um amor, gozar tão bem”

sexta-feira, 26 de março de 2010

texto usurpado: FERNANDO ASSUMPÇÃO, O CRONISTA DAS CANTORAS E DO BELO ÓCIO

Nina Rosa, la cantante


ESTE É UM TEXTO NÃO CEDIDO NEM PELO AUTOR, NEM PELO ÓRGÃO QUE O PUBLICOU. EM TEMPOS DE VASTA PUTARIA POR AÍ, NÃO É NADA DEMAIS PEGAR NO ORGÃO DOS OUTROS... QUALQUER COISA A GENTE FINGE QUE FOI DOAÇÃO.

F. (de Felipe)


* * *

O rebolar é novo modo de gingar e nova estação...

Fernando Assumpção*

Sábado à tarde, para mim, é o momento mais formoso da semana. E tem acontecido desde o inicio de ano, nessas horas lindas, um encontro de jovens Sambista no Bar Vaca Atolada, na ex-decadente e reformulada, Gomes Freire.

O bar simples tem atendimento atencioso – coisa rara nos dias de hoje: pode-se conversar longamente com o acessível dono e com os afáveis garçons. Apreciar o cardápio, tipicamente mineiro, como a generosa e saborosa e que leva o nome do estabelecimento: vaca atolada, tendo o seu melhor, o preço: por menos de dez reais. Porção de aipim com manteiga de garrafa, polenta frita, também nessa mesma linha, come bem e paga o justo.

O bar é tão bacana que sua Jukebox é feita só com sambas, dos clássicos ao que tem de moderno: da Velha Guarda da Portela, passando por Aniceto do Império, Noel Rosa e Diogo Nogueira. No salão, onde se apresenta os músicos, funciona um ar condicionado que não dá conta, mas que ameniza o calor. Não existe couvert artístico, existe um acréscimo de um real em cada na cerveja e refrigerante, mas de quem consumir. Honesto.

Alem disso tudo, o que vale mesmo o meu deslocamento e mudança de rota no meu dia preferido é a voz de Nina Rosa!

Nina Rosa uma jovem cantora, com uma voz média grave, suave, que se coloca em boas notas, que não perde nenhuma oportunidade e sustenta até o fim definidos tons em um bom samba. Nina é de uma geração moderno-contemporânea, mas, menina esperta que é, sabe que um figurino, um bom vestido estilizado, feito pelas “costureiras da família”, fazem a diferença em uma apresentação de música. Nina está sempre bem vestida, com um acessório no cabelo, uma bijuteria, maquiada ou qualquer coisa que valoriza a sua natural beleza. Hoje, onde as cantoras se apresentam como quem vai à feira ou com vestimentas compradas em lojas de roupas masculinas de rua: Nina surpreende.

Os também, jovens músicos, que acompanham Nina fazem bonito e valorizam a tarde com arranjos comprometidos e sérios. O repertorio circula entre os sambas antigos – mas sem aquela onda de resgate: “vamos tocar a terceira faixa do lado B do ‘As forças da natureza’” – Isso cansa. – e sambas mais “fáceis de cantar”, onde em uma roda as pessoas podem interagir, cantar e transferir-se para aquele momento mágico que se propõem. Buchecha, marido de Nina, simpático de voz grave, excelente, quase um barítono, se coloca a disposição da amada, em duetos de casais sambistas: “Tem que Rebolar” (José Batista e Magno de Oliveira) de Clássico na voz de Dona Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro ou em “Faixa Amarela” (Zeca Pagodinho/Jessé Pai/luiz Carlos/Beto Gago) do divertido Zeca Pagodinho.

A tarde e início de noite acabam e uma sensação de alívio ao peito apertado, de mais um sábado sereno, efetiva-se. Volto pra casa pensando no próximo, que será um sábado de outono: a mais linda estação, onde as noites são limpas e de longe se avista a Lua, e os dias plácidos e amenos.

Serviço: Roda de Samba no Botequim Vaca Atolada, das 15h às 19h
Av. Gomes Freire, 533 - Lapa (Rio de Janeiro)

* Fernando Assumpção está se guardando pra quando o outono chegar e tem esperança em uma nova leva de cantoras.

NOTA: no próximo número, “Gracioso, croquete de milho e galera da Cedae”

sexta-feira, 12 de março de 2010

Nunca mais ouvi falar de amor...


Há dois dias que Roberta Cristina Eugênio e Felipe Eugênio se desentenderam. Desta vez não foram fotografados na Prainha discutindo quem havia roubado a onda de quem, tampouco elevaram a voz no Antonio’s numa quarta feira após duas garrafas de vinho; o que ocorreu é que as companhias telefônicas intermediaram uma mensagem-torpedo malcriada aqui e uma vizinha faladeira (seria ela um bloco inteiro?) ouviu acolá o "outrora casal-semi-univitelino" discutir com venenos ao descer a escadaria. Barraco?, embora valesse isso em Vila, terra de notórios barraqueiros, qualquer escândalo não se confirmou. No entanto, para quem percebeu o entrevero, a coisa foi pior do que baixarias: os irmãos se bateram com elegância e frieza. Coisa feia e dolorida pro coração. No caso, a nossa vizinha mezzo carnavalesca testemunhou que após farpas violentamente sussurradas, a menina Eugênio saiu para um lado e o cara Eugênio para o outro. Cada qual seguiu por uma esquina diametralmente oposta após o fim da ladeira. Coisa rara de se ver. Principalmente pela falta dos beijinhos e gargalhadas. Até hoje se perguntam qual terá sido a natureza do ebó que lhes foi destinado.

Ou seja, o boato que se espalhou por Vila Isabel era o da separação. Mas afinal de contas, qual o motivo para isso tudo? – gritava em uníssono a platéia que acompanha os trabalhos suados dos paparazzi. - Por que brigaram, ora bolas?!

A resposta é: todas as especulações sobre o motivo da briga, as que existem, as que serão feitas, todas estão corretas. E esse parafrasear do Aldir Blanc apenas serve para dizer que somos menos turrões que aquela dupla de autores do Mestre Sala dos Mares. Dois dias e já basta. Cheio de saudades, já comemoro o aniversário da briga natimorta convidando Roberta Cristina Eugênio e o MOCC para a festa da reconciliação. No nosso caso, a música brasileira pode até não agradecer tanto, e nem mesmo tivemos uma Yoko Ono para nos dar motivos para irmos embora, porém os batuqueiros & cantadores serão mais felizes sabendo que uma máfia de dois como a nossa não se findou. Quem se finou foram os olhudos de plantão – vão botar mandinga na casa do c!...

Enfim...


Importa é que Roberta taí, de volta à paz daqueles que esqueceram os ciúmes, e eu, malgrado pisar nos mesmos espinhos, estou aqui, de braços abertos, esperando colocar no colo a minha menina, que na realidade é quem me nina.

Meu par,

minha nega, que falta - nesses enormes dois dias - você me fez!


teu f.


p.s.
para os moquianos de plantão, eis aí um folhetim que faltou à pena do Maneco. Claro, ele desconhece o subúrbio... Vamos lançar o disco "Farpas e bitocas - Nacional "em breve. Incluindo o grande sucesso de Dhi Ribeiro!

Uma ode aos satélites de geração

Por vezes a gente conta estar vivendo tempo de certezas e por isso mesmo, fica este tempo com uma cara de tédio, de coisa estabelecida, de reconhecimento de quem somos apenas com um adentrar ao boteco-meca alcunhado Arco Íris.
Daí uma sorte do MOCC ter o Fernando como nosso provocador-mor, ou corregedor-da-pasmaceira-inaceitável, tanto faz. Sou crítico à implicância do nosso economista-artista com certas moças que cantam - e outras, presentes em sua lista negra, nem tão mocinhas assim - porque considero um prazer ouvi-las, dança-las e até dançar com elas (vide a cheirosa Roberta Sá). Porém, é beber dois goles de conversa com o Assumpção e logo ele vem implodindo uma a uma, nem sempre com satisfatório sucesso mas com apuro e bom humor. O famoso bom humor do mau humor . Quando pensamos que ,enfim, ele já destruiu carreiras com sua afiada língua, no contrapé somos pegos com suas "descobertas". Deste modo matamos um simplismo de avaliação: Fernando não é um provocador de polêmicas, outrossim um promotor de modernidades; essas que para nós, pobres mortais-com-leve-alcoolismo, poderiam ser demodés ou cafonas, e que ele vem, com seu senso estético inquieto de ocupação, fazendo chacota de nossos bons sensos assentados pelo Incra. Um tropicalista jóia, uma figura de fundir a cuca dessa juventude que quer tomar o puder, eis nosso satélite de geração. Coisa velha isso de satélite, né? o lance agora é bluetooth. Ou, como diria a projenitora: o lance agora é isso, "vê se eu tô on line aí!!..."
O melhor de Assumpção é seu pior: ser um homem bomba que eventualmente chora.
beijos para Dhi (que não sai da minha cuca! - o que não necessariamente é agradável.. ou nem sempre o é...rs)

f.


p.s.
sinto falta das moquianas fotografias do carnaval do mocc da manchete.... e o baile? vem por aí?

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Videos de Carnaval!!

Gostaria de colocar os links dos videos diretamente aqui. Mas, não sei fazer... Magno sabe?!

Dona Carmem
http://www.youtube.com/watch?v=DFwNXoEzRgY


http://www.youtube.com/watch?v=ERYKzez97lA


A 1ª dama, quer dizer “quase” primeira dama
http://www.youtube.com/watch?v=dy5f90XhCi8


Chiquita Bacana
http://www.youtube.com/watch?v=m4VolN3IiKQ


Poupurri de Emilinha!!!

A melhor eh:

"Você notou que eu estou tão diferente / Você notou que eu estou tão diferente / A água lava, lava, lava tudo / A água sõ não lava a língua dessa gente!(bis)
Já vieram me contar / Que me viram por aí / Em lugar tão diferente / A água lava, lava, lava tudo / A água sõ não lava a língua dessa gente!"

http://www.youtube.com/watch?v=uT-IjRZXSsE


Emilinha
http://www.youtube.com/watch?v=Xqyg3GflUfM

"Menina direitinha que pensa no futuro,
Não chega tarde em casa,
Nem namora no escuro...

Não anda em garupa de lambreeeeta
Sem ordem da mamãe ela não sai
Ai ai ai menina, cuidado pra você não dar desgosto pro papai, menina... "


Marlene e Pery
http://www.youtube.com/watch?v=kqIWAnJsyhI


Silvio
http://www.youtube.com/watch?v=A1h_qy3Yr0o


http://www.youtube.com/watch?v=U0BDe07Q8Vs


Raul e Vandeca com pinturas no cenário de Juarez Machado
http://www.youtube.com/watch?v=U8fCeqWy4ao


Eu NAO TENHO VERGONHA DE GOSTAR DE CAETANO!!!
http://www.youtube.com/watch?v=MFQlCrHBBpE

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval, desengano...

Como é tempo de Momo, não peço desculpas sobre nada mais. Que seja título lugar-comum do Buarque. Que seja o tempo de fingir não sentir a dura realidade das coisas ao redor. Nada agora importa além do fictício, do desvario, dos delírios & delícias assumpçãonianos, importam agora menos ainda os semáforos e os títulos da previdência, mas garantimos entrada no bloco para a galeria dos melancólicos, esses que são alma do carnaval.

Aí a menina voluntariosa pergunta cheia de empáfia: eu hein, que história é essa de gente triste no carnaval? - mas é exatamente isso, menina voluntariosa, a festa da carne é para se prender fiapo no dente e sentir angústia por isso. Não podem moças ficarem alegres o tempo todo porque é no próprio tempo que o carnaval tem sua tristeza. Tempo ansiado e, logo depois, tempo de ampulheta escorrendo, e todo mundo escorrendo junto suas alegrias só-ali-de-fato-respeitadas-no-desvario-e-excesso, só ali as pessoas podem soltar os demônios que vivem subcutãneos, outrora chamados de memórias, e, tal como na felicidade, abrir um sorriso para as lágrimas escoarem. O Carnaval é uma ilha de reencontros. Uns fantasmagóricos, outros saudosistas, todos com navalhas nas mãos e pés. Uma capoeira onde coração algum se livra de curativos sujos como o band aid do calcanhar.

Uma cambada de maltrapilhos pulando seus andrajos comprados no Saara, isso lá pode ser menos que histeria coletiva? Patologicamente estamos condenados: o carnaval provoca bulimias de esporro, de escárnio, de exageros, de palavras mais começadas com "e", de bizarrices e de sexualidades reprimidas. A festa da carne, a festa da curra. A festa, ponto.

Esse é um texto teórico, portanto um texto de merda. Carnaval é existencialista e só enquanto sendo pode querer ser. Saio da vida monástica para entrar para a história hedonista do Rio. Que não seja capa de jornal, mas também não conste nos obituários.

O resto, notícia velha, aí vou eu!

A fantasia está nas partes mais íntimas: Cuecas, falta de cuecas, calcinhas, sutiens, peitinhos mal escondidos, gente molhada, dança de nada, varises e vargens grandes, polpinhas e bocas semi abertas - fantasias, fantasias! evoé!


beijos nas nucas,

f., ou Hermes, o deus do vai e vem.


p.s.
a senha é: mocc no carnaval da manchete: presente!

p.s.
não aceitem beijos de língua de estranhos. Tornem-se íntimos.


p.s.III

http://www.youtube.com/watch?v=FleLejSNKF4

para não dizer que não falei dos tristes e vorazes, antenas da raça: os foliões que pierroteiam por aí.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

" E o Carnaval não vai ter fim.."






A sensação do calor mais ameno e a visível certeza de não encontrar nenhum amigo que julgo verdadeiro, pelos Escravos da Mauá, me encheu de alento e nostalgia.

Eu não tinha ido a nenhum Escravos esse ano que passou e não conhecia o Samba do Carnaval de 2010. A letra surgiu de forma despretensiosa, entregue por um desatento rapaz. O samba, aparentemente desempolgante, tinha uns versos fortes: "Eu chorei, sorri / ouvindo o som da batucada” e “abram alas pro amor”.


Não sei se de propósito ou por desatenção, me perdi de umas pessoas que estava acompanhado.


Assumi minha momentânea solidão e fui pra frente do bloco. Aguardando-o passar e buscava observar, e, apreciando: a “comissão de frente” formada por um grupo cultural do Morro da Conceição, com jovens, mulheres e rapazes com Pernas de Pau de um impressionante singeleza, onde se via como dentre outros personagens encarados pela trupe, uma delicada Iemanjá e um verdadeiro e implicante “Diabo”; As pessoas passando, algumas já levemente embriagadas, outras constantemente eufóricas, outras tantas, aparentemente felizes.


Mas, uma me marcou! Era uma mulher de 30/40 anos, e engraçadamente, olhei pra ela desde a quando pude a ver. Sabem quando, você estica todo o seu pescoço e o seu rosto pro fim do bloco, na busca de alguém ou achar o fim do cortejo? Então, foi assim, seu rosto me marcou. A principio pela beleza madura. Olhei fixamente, meu óculos escuros permitiam isso. Foi o tempo de acompanhá-la cantando todo o samba. Percebi que ela estava triste, e revezava o olhar ou pra baixo, com o tom de melancolia, ou pra muito alto, como se pedisse um clamor dos céus. Quando passou por mim ela chorou levemente e justamente no verso com a melodia mais linda do samba “e o carnaval não vai ter fim...”. Não segurei, e fui seu cúmplice... Um Pierrô que não sabe o nome da sua Colombina, apenas lhe é solidário.


Eu, na sexta-feira, no mais tradicional Bola Preta, esperei na calçada da Av Rio Branco a banda do maestro Quintanilha passar e na troca de música, onde há o solo longuíssimo - pedindo a atenção dos restantes dos músicos - de trompete; como em um ritual, levantei a mão pro alto e pedi benção para um excelente carnaval para mim e pessoas queridas. Não sei se “segurarei a marimba” de tanta alegria emocionada!

Bom carnaval a nós!!!



terça-feira, 26 de janeiro de 2010

De médicos e soldados


A distância por mar entre Cuba e o Haiti é de menos de 100km. O terremoto do dia 12 de janeiro, que arrasou a capital haitiana, foi sentido em toda a região oriental da maior das antilhas, e mesmo na segunda maior cidade do país, Santiago de Cuba.

No entanto, a única notícia que repercutiu na mídia internacional foi a liberação, pelos cubanos, de seu espaço aéreo para o trânsito de aeronaves norte-americanas com a tão falada "ajuda humanitária".

Porém Cuba não enviou muita gente para o Haiti após a tragédia. Mas, e o tal do internacionalismo?

Pois bem: antes mesmo do terremoto, havia no Haiti 25 cubanos participando da Campanha Nacional de Alfabetização daquele país e 417 médicos e estudantes que participavam de iniciativas de atendimento básico e vacinação.

Até o último sábado, 18.000 haitianos foram atendidos por equipes cubanas de saúde, tendo sido realizadas mais de 1.700 intervenções cirúrgicas, das quais 800 classificáveis como complexas. Isso tudo, nos cinco Centros de Diagnóstico Integral espalhados pelo território do país caribenho, que lá funcionam desde antes do terremoto numa iniciativa conjunta entre Cuba e Venezuela.

Os cubanos tomaram de assalto o Hospital Ofatma, qualificado pelos haitianos como "un hospital para gente rica", e lá atendem a todos os que precisam. Como diz a matéria do jornal cubano Granma, "o terremoto sacudiu muitas coisas no Haiti".

Enquanto isso, no palácio presidencial, milhares de soldados norte-americanos estabelecem seu quartel general. Bem verdade é que o tremor tirou muitas coisas do eixo naquela pobre, porém lutadora ilha caribenha. Mas parece que os marines sempre estão a postos - e dispostos - para colocar o que é preciso no seu devido lugar.

(notícias retiradas do site www.granma.cu)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Infância


De tanto tomar banho de cachoeira, quando voltamos da Bahia pedi ao meu pai que tirasse o chuveiro do único banheiro da casa e deixasse só no cano - queria tomar banho de “biquinha”. Saudade era o nome do que eu sentia, mas naquela época não sabia explicar. “Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue” – eu li uma vez.
Nietzsche diz que as nossas vivências mais íntimas não são nada tagarelas. Ele tem razão.

Palavras que valem por mil imagens: cinema transcendental.

Pessoas há que tomam de assalto a língua e fazem dela o que bem entendem. Parece-me que disso ela gosta.
Menos polissíndetos, mais polissemias. E o sentido, que se faz do sentido nessa larga boca onde todos desembocam?
Certos disso é que eles gostam. Por isso, Felipe, não se acanhe de ser prolixo...

***

http://www.youtube.com/watch?v=qoJ-AUi2GXs

O melhor o tempo esconde, longe, muito longe
Mas bem dentro aqui, quando o bonde dava a volta ali
No cais de Araújo Pinho, tamarindeirinho
Nunca me esqueci onde o imperador fez xixi

Cana doce Santo Amaro, gosto muito raro
Trago em mim por ti, e uma estrela sempre a luzir

Bonde da Trilhos Urbanos vão passando os anos
E eu não te perdi, meu trabalho é te traduzir

Rua da Matriz ao Conde no trole ou no bonde
Tudo é bom de vê, seu Popó do Maculelê

Mas aquela curva aberta, aquela coisa certa
Não dá prá entender o Apolo e o rio Subaé

Pena de Pavão de Krishna, maravilha, vixe Maria
Mãe de Deus, será que esses olhos são meus ?

Cinema transcendental, Trilhos Urbanos
Gal cantando o Balancê
Como eu sei lembrar de você

(Caetano Veloso - Trilhos Urbanos)

A primeira de muitas...


Descaradamente roubada do álbum da Babi, esta foto tem a cara do Movimento maior do Brasil!
E como dizemos, pra recomeçar os trabalhos, aí vai a minha primeira contribuição para esta repaginada lista que, pelo que vejo, está cada dia melhor!

Que venham as próximas...

Aos grandes amigos um grande beijo!