terça-feira, 11 de maio de 2010

A Biografia do Lobo


Caros amigos moquianos, procurei fazer deste texto um ensaio aristotélico. Menos pelo pernosticismo do que pela conveniência, posso garantir. Aristóteles parte sempre da voz corrente e acaba atingindo uma complexidade impressionante. Nosso amigo parece plano, cristalino, mas é uma personalidade bastante complexa, ainda que afetuosa. Sei que quase todos sabem que estou cursando Filosofia na UERJ. Bom, não deixa de ser uma especulação também, uma tentativa (errante).


* * *
Rodrigo Luiz do Nascimento Lobo é um nome grande pra cacete. Longe de ser daqueles da família real, mas maior do que a média brasileira. Acho. Apesar do nome composto, que tem sido bastante comum nos bastismo de hoje.

Rodrigo - Luiz – Nascimento - Lobo

1

R.L.*

Esta sigla, criada pelo meu irmão Pedro, reflete aliás uma qualidade que é comum aos dois. São “sem frescura”, vão direto ao ponto e querem resolver as coisas. Mas atenção! Essa objetividade comporta também todas as contradições possíveis. Uma delas é que Rodrigo é um amante da boa conversa, o que inclusive faz com que ele não resolva as coisas por inteiro, de uma vez, ou melhor, com pressa. O termo também traduz talvez a característica que primeiro se percebe deste sujeito: o carisma. Daí as comparações erótico-messiâ nicas: para uns ele parece um bichinho de pelúcia, um Picachu, e outros vêem nele uma semelhança com Cristo. Principalmente as mulheres. Diz-se que ele tira o diabo do corpo e antes faz ver o diabo de perto.

*Obs: Além dos diminutivos, outros apelidos são conhecidos: Dime, de “di menor”; Beiço; Pacoval; Baboi, entre outros. Cada um reconta as histórias e lugares de onde se pegou/botou. Deixo para os responsáveis pela nomeação esta tarefa.

2

Nascimento

“Começa-se atrasado ao próprio advento e nunca mais se terá a chance de descontar o atraso.”

Um caminhão de gente já disse algo parecido com isso, mas poucas vez vi alguém levar o atraso da condição inicial às últimas conseqüências. Rodrigo nasceu atrasado, sempre chegou atrasado, mas vive no agora. Os pré-socráticos, sobretudo Parmênides, chamam isso de nyn. O ser, a rigor, vive no agora de um “é” sempre presente, que não foi nem será. E o que é é, e o que não é não é. O resto é ilusão, conversa mole pra boi dormir meus amigos do esporte!

Depois de tudo bem entendido, quero dizer o seguinte: nasceu atrasado porque nasceu no dia 24. Dia em que “cabra-macho” nenhum queria nem a mãe dele queria. Por isso, resolveu-se que ele seria registrado no dia 25. Portanto – mesmo 24 – ele é no 25. Dispensarei a parte em que falo dos atrasos aos encontros, churrascos, botecos, aniversários, casamentos ...etc faz parte de um acordo meu com o protagonista.

3

Lobo

Sem dar bobeira nem demonstrar sua voracidade, este Lobo é espécie das mais distintas. Tipo generoso e de bom senso de humor.

Não convém pisar-lhe o calo, porque o rapaz é teimoso e pode ficar arredio, isso contudo, faz dele sincero e confiável. Estar sob a sua guarda e fiscalização não é nada mal.

Amante da liberdade e de deixar as pessoas livres, é também um grande conselheiro, de grande autonomia e consumo moderado [curiosamente maior na estrada do que na cidade], movido a ampolas de cevada. Conheci ainda nos tempos de colégio Pedro II esta faceta. Foi ele quem me apelidou de “Leozito”, mas logo cresci, porque recebi o “de la Mauá” de outro amigo. Isso era 2000-1.

Depois vieram os tempos de Uerj, Mocc e do Pré-vestibular, que permitiram uma aproximação maior, tanto pessoal quanto profissional. Deve bater uma década pra mim, desde que conheço este parceiro.

E muitas linhas ainda estão para ser escritas sobre esta relação. Ah! Que delícia! Cheguei ao fim...

Foi bom pra você Rodrigo?


Leo, o Zito o Da Mauá

segunda-feira, 3 de maio de 2010

As Engrenagens



Não se cria um artista.

O artista é escolhido

E só então nasce.


Não se trata de um personagem,

Uma logomarca ou uma mentira.

O artista sabe o que não é


Um artista não é um filho,

Um projeto ou uma imagem.

Um artista não se cria - fato.


Contudo, em vacilantes momentos,

Ela não cria, a artista.


Talvez porque ainda lhe faltasse autoconfiança,

Ou porque houvesse uma pedra

No meio de cada caminho dela

Ou, simplesmente, porque sempre foi muitas

E nesses muitas lhe cabe um mundo de possibilidades.


Pode ser alemã, inglesa e até espanhola.

Silêncio! Silêncio! Também pode ser...

Pode ter medo do escuro e de dormir sozinha inclusive.

Por que não?


A artista quase tudo pode,

Tudo sente e tudo é.

Freira, prostituta, Tereza...

Quem pode compreender

As engrenagens que movem a artista?


Colorida como rastros de confete

Sobre o chão da rua do mercado;

Divertida entre as frutas e os legumes

Dos corredores da feira da Glória;

Melancólica pelas esquinas

De bares da Maracanã;

Generosa por entre os becos do perdão...


A artista sabe bem o que não quer.


E dentre muitos não quereres

O não querer ser rotulada.

Irônica, verdadeira;

Desprendida, nostálgica;

Antes assim, agora assado...

Quiçá a artista dissesse:

- Não enche o saco!

E acendesse mais um cigarro.


Talvez risse, talvez chorasse,

Talvez decorasse e não encenasse,

Escrevesse e não publicasse.

Quem sabe?


Daquilo que se sabe

Está que a artista gosta de ter histórias para contar

Que a artista nasceu para ser o que é,

As muitas que já foi

E as que ainda será.