sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval, desengano...

Como é tempo de Momo, não peço desculpas sobre nada mais. Que seja título lugar-comum do Buarque. Que seja o tempo de fingir não sentir a dura realidade das coisas ao redor. Nada agora importa além do fictício, do desvario, dos delírios & delícias assumpçãonianos, importam agora menos ainda os semáforos e os títulos da previdência, mas garantimos entrada no bloco para a galeria dos melancólicos, esses que são alma do carnaval.

Aí a menina voluntariosa pergunta cheia de empáfia: eu hein, que história é essa de gente triste no carnaval? - mas é exatamente isso, menina voluntariosa, a festa da carne é para se prender fiapo no dente e sentir angústia por isso. Não podem moças ficarem alegres o tempo todo porque é no próprio tempo que o carnaval tem sua tristeza. Tempo ansiado e, logo depois, tempo de ampulheta escorrendo, e todo mundo escorrendo junto suas alegrias só-ali-de-fato-respeitadas-no-desvario-e-excesso, só ali as pessoas podem soltar os demônios que vivem subcutãneos, outrora chamados de memórias, e, tal como na felicidade, abrir um sorriso para as lágrimas escoarem. O Carnaval é uma ilha de reencontros. Uns fantasmagóricos, outros saudosistas, todos com navalhas nas mãos e pés. Uma capoeira onde coração algum se livra de curativos sujos como o band aid do calcanhar.

Uma cambada de maltrapilhos pulando seus andrajos comprados no Saara, isso lá pode ser menos que histeria coletiva? Patologicamente estamos condenados: o carnaval provoca bulimias de esporro, de escárnio, de exageros, de palavras mais começadas com "e", de bizarrices e de sexualidades reprimidas. A festa da carne, a festa da curra. A festa, ponto.

Esse é um texto teórico, portanto um texto de merda. Carnaval é existencialista e só enquanto sendo pode querer ser. Saio da vida monástica para entrar para a história hedonista do Rio. Que não seja capa de jornal, mas também não conste nos obituários.

O resto, notícia velha, aí vou eu!

A fantasia está nas partes mais íntimas: Cuecas, falta de cuecas, calcinhas, sutiens, peitinhos mal escondidos, gente molhada, dança de nada, varises e vargens grandes, polpinhas e bocas semi abertas - fantasias, fantasias! evoé!


beijos nas nucas,

f., ou Hermes, o deus do vai e vem.


p.s.
a senha é: mocc no carnaval da manchete: presente!

p.s.
não aceitem beijos de língua de estranhos. Tornem-se íntimos.


p.s.III

http://www.youtube.com/watch?v=FleLejSNKF4

para não dizer que não falei dos tristes e vorazes, antenas da raça: os foliões que pierroteiam por aí.

3 comentários:

  1. Chico Buarque tem tanto a ver com carnaval como o Papa tem com a liberação da maconha e a passeata de direitos civis dos gays de São Francisco..!

    Saco, isso!!! Querem entubar esse bêbado de merda e espancador de ex mulheres em todo lugar!!!

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  2. não vamos destilar o rancor nos telhados de vidros, s'il vous plâit - para ser besta demais - o carnaval tem tanto a ver com o modista de madureira quanto com o empresário do Leblon: não que ambos estejam no mesmo bloco, isso é buraco mais fundo, mas os dois se sentem carnaval. Discorde disto e será tão retórico quanto eu ao fazer essa frase...rs

    Chico cantou o carnaval. Chico, Paulinho, Zoá Lopes, PC, Arlindo Cruz, Titto Madi, Diniz, eu mesmo já cantei, e, enfim, lembrar do Chico é porque cantou e cantou bem. Isso é bom. Discordou, ótimo. Para ser melhor, cante uma sobre carnaval também.

    ponto.

    Marcar posiçao sobre o status quo é válido. Não desmereço isso.

    f.

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  3. melhor: metamos a porrada no status quo. E sintamos o peso disso. Desafio válido; afinal, somos jovens!

    f.

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