Os historiadores estão flutuando! Os historiadores - e assim gritava uma moça gorda - estão flutuando! Isso acontecido, alguém teria sido dado como o culpado pelo corte da linha da pipa, pelo rompimento das cordas que atracam tantos e tantos no cais, alguém seria deliberadamente acusado de ter aberto a comporta da nave e lançado geral no espaço cheio de espaço sideral. Se historiadores flutuarem um dia, não há dúvida e nem o acusado requererá defesa: é o Paulista que andou aprontando na caixa d'água da galera e, enfim, os puretas e os puretas avançados decidiram viver com asas. O que ele batizou na água da gente não sei; importa é que, neste processo de fluir no ar, ao menos acordamos engessados. Meno male. Surfar por sobre lugares comuns e até reforçar alguns pra deixarmos de sermos besta, eis algumas lições desse desvairado da carioquéia, o Pedro, historiador fla-flu(tuante), fla-flu(gel). Se preciso for, ele é necessário. Do contrário o Paulista mantém-se um pajé sem requerer eleições, assim como pajezisa sem receber proventos pelas pitadas do cachimbo.
Numa ocasião estávamos, o Paulista e eu, disputando uma competição mensal de consumidores de chope no saudoso bar Estephanio's, em Vila Isabel. Éramos Quixote e Sancho -e para não causar confusão, apesar da pança do garoto Pedro, eu era o ajudante do herói, logo, o Quixote era o nosso homenageado aqui. Daí que Pedro de La Mancha, em sua empreita rumo à maior litragem daquele mês, além de mandar ver nas tulipas e cooptar o garçon para "ajudar" o nosso lado, descobriu um modo particular para ganhar a competição: brindava a cada gole uma homenagem a Baco, pedindo para que ele intercedesse na garganta de seus adversários, fazendo com que bebessem à vontade, mas que o gosto fosse uma merda! O resultado dessa mandinga entre o deus do vinho e nosso beberrão foi uma sintomática queda de beberagem dos competidores, nos permitindo - permitindo o nome do Paulista - sair da nona colocação e chegar à .... à.....
à quarta.
Baco cumprira seu papel. A cara da galera não era mais de prazer fazia semanas. Mas não foi possível vencer um povo de circo que por lá bebia. Gente de outro mundo. Seguidores do Jaguar, com tendências de Aldir Blanc - infelizmente sem lampejos geniais. Os três primeiros colocados eram Jedis. Se não isso, pés-de-cana respeitáveis; simples assim.
A homenagem está feita com esse relato, acho. Fica dessa história o registro do homem paulista que chegou mais longe numa competição alcoólatra-alcoólica de Vila Isabel. Não é ficção e nem tem história de vencedor ao final não. Embora, ainda que ficção fosse, nada seria mais inverossímil do que o Pedro sentar na janela logo ao entrar nesse ônibus. Em Vila essas coisas são sérias, não dá pra ser desbancado assim. Batuqueiro é batuqueiro, cantador é cantador. (salve Luizinho!)
Embora completamente leviano com as regras da competição, firme ficou na minha memória que, naquele tempo, chegara o Paulista ao fake de seu auge: filosófico até a última ponta, um galanteador calado e metidíssimo, um anárquico interlocutor e jogador individualista. E quarto lugar no Estephanio's como bebedor do mês de maio de 2002.! Auge fake porque Pedro foi muito além, e não vou contar aqui seu lado sério não, que isso aqui não servirá de currículo para emprego algum. Importa é que trato apenas do início primeira década do século XXI, e nosso moquiano-fundador ainda fundaria novas modas e seitas, todas situadas entre Epicuro e Bakunin, praia onde também me filio e arrisco jacarés. O Paulista, para além, ainda cofia os bigodes do Nietzsche enquanto batuca uns pandeiros na Mangueira. Nos intervalos se apaixona por aí.
Embora completamente leviano, Pedro é.
É leviano embora completamente Pedro.
Asas e bolas de gude - molecagens enquanto o trem não chega ao Nirvana. Um pajé.
meu amigo, O paulista - um aniversariante do mês.
intés
f.

