terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

" E o Carnaval não vai ter fim.."






A sensação do calor mais ameno e a visível certeza de não encontrar nenhum amigo que julgo verdadeiro, pelos Escravos da Mauá, me encheu de alento e nostalgia.

Eu não tinha ido a nenhum Escravos esse ano que passou e não conhecia o Samba do Carnaval de 2010. A letra surgiu de forma despretensiosa, entregue por um desatento rapaz. O samba, aparentemente desempolgante, tinha uns versos fortes: "Eu chorei, sorri / ouvindo o som da batucada” e “abram alas pro amor”.


Não sei se de propósito ou por desatenção, me perdi de umas pessoas que estava acompanhado.


Assumi minha momentânea solidão e fui pra frente do bloco. Aguardando-o passar e buscava observar, e, apreciando: a “comissão de frente” formada por um grupo cultural do Morro da Conceição, com jovens, mulheres e rapazes com Pernas de Pau de um impressionante singeleza, onde se via como dentre outros personagens encarados pela trupe, uma delicada Iemanjá e um verdadeiro e implicante “Diabo”; As pessoas passando, algumas já levemente embriagadas, outras constantemente eufóricas, outras tantas, aparentemente felizes.


Mas, uma me marcou! Era uma mulher de 30/40 anos, e engraçadamente, olhei pra ela desde a quando pude a ver. Sabem quando, você estica todo o seu pescoço e o seu rosto pro fim do bloco, na busca de alguém ou achar o fim do cortejo? Então, foi assim, seu rosto me marcou. A principio pela beleza madura. Olhei fixamente, meu óculos escuros permitiam isso. Foi o tempo de acompanhá-la cantando todo o samba. Percebi que ela estava triste, e revezava o olhar ou pra baixo, com o tom de melancolia, ou pra muito alto, como se pedisse um clamor dos céus. Quando passou por mim ela chorou levemente e justamente no verso com a melodia mais linda do samba “e o carnaval não vai ter fim...”. Não segurei, e fui seu cúmplice... Um Pierrô que não sabe o nome da sua Colombina, apenas lhe é solidário.


Eu, na sexta-feira, no mais tradicional Bola Preta, esperei na calçada da Av Rio Branco a banda do maestro Quintanilha passar e na troca de música, onde há o solo longuíssimo - pedindo a atenção dos restantes dos músicos - de trompete; como em um ritual, levantei a mão pro alto e pedi benção para um excelente carnaval para mim e pessoas queridas. Não sei se “segurarei a marimba” de tanta alegria emocionada!

Bom carnaval a nós!!!



3 comentários:

  1. Essa colombina é moquiense, texto lindo. E essa foto da Miúcha, pantera magrinha, ao lado da Maria da Graça, raridade.

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  2. Não é a Miucha e nem Magda Cotrofre e uma badalada da década de 1980

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