Não se cria um artista.
O artista é escolhido
E só então nasce.
Não se trata de um personagem,
Uma logomarca ou uma mentira.
O artista sabe o que não é
Um artista não é um filho,
Um projeto ou uma imagem.
Um artista não se cria - fato.
Contudo, em vacilantes momentos,
Ela não cria, a artista.
Talvez porque ainda lhe faltasse autoconfiança,
Ou porque houvesse uma pedra
No meio de cada caminho dela
Ou, simplesmente, porque sempre foi muitas
E nesses muitas lhe cabe um mundo de possibilidades.
Pode ser alemã, inglesa e até espanhola.
Silêncio! Silêncio! Também pode ser...
Pode ter medo do escuro e de dormir sozinha inclusive.
Por que não?
A artista quase tudo pode,
Tudo sente e tudo é.
Freira, prostituta, Tereza...
Quem pode compreender
As engrenagens que movem a artista?
Colorida como rastros de confete
Sobre o chão da rua do mercado;
Divertida entre as frutas e os legumes
Dos corredores da feira da Glória;
Melancólica pelas esquinas
De bares da Maracanã;
Generosa por entre os becos do perdão...
A artista sabe bem o que não quer.
E dentre muitos não quereres
O não querer ser rotulada.
Irônica, verdadeira;
Desprendida, nostálgica;
Antes assim, agora assado...
Quiçá a artista dissesse:
- Não enche o saco!
E acendesse mais um cigarro.
Talvez risse, talvez chorasse,
Talvez decorasse e não encenasse,
Escrevesse e não publicasse.
Quem sabe?
Daquilo que se sabe
Está que a artista gosta de ter histórias para contar
Que a artista nasceu para ser o que é,
As muitas que já foi
E as que ainda será.

Lindo, Rê...
ResponderExcluirEu já estava impelido a ir para a peça. Agora, embalado pelos versos e as verossimilhanças, estou intimado pela sede de beleza.
beijos, meninas!
as meninas...
f.